quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A educação passa pelo conhecimento de si próprio! - Jiddu Krishnamurti com música de Collin Walcott "Prancing"

“A educação passa pelo conhecimento de si próprio.”(1) Jiddu Krishnamurti

A reflexão do filósofo Krishnamurti tem como meta dar às crianças (e não só...porque se calhar todos levamos dentro de nós uma criança de algum modo ferida...) uma oportunidade de crescer sem preconceitos que aprisionem a sua capacidade mental, a sua criatividade e a sua humanidade. Para ajudá-la a conseguir uma visão global da vida. 



Para Jiddu Krishnamurti (1895-1986), a educação foi um dos principais temas de reflexão da sua vida. Nasceu no sul da Índia em Mandanapalle e faleceu nos USA. Durante perto de sessenta anos dedicou-se a viajar pelo mundo, a dar conferências públicas, dirigindo-se muitas vezes aos jovens e estudantes. Conseguiu de certo modo marcar várias gerações de pensadores reconhecidos internacionalmente na área da psicologia, filosofia e outras áreas ligadas ao ensino. Krishnamurti publicou mais de trinta obras literárias, e existem atualmente sete escolas representantes do seu legado no mundo. Ele não está relacionado com nenhuma religião, com nenhuma seita, a nenhuma filosofia e nem sequer a nenhuma nacionalidade. Isto porque os seus ensinamentos visam sobretudo, não a convencer as pessoas da sua própria visão, nem a procurar adeptos àquilo que ele apregoa, mas a despertar nas pessoas um processo de descoberta e de auto-observação. Todo o seu ensinamento consiste numa descrição daquilo que somos enquanto seres humanos. O seu objetivo é apenas o de libertar psicologicamente os indivíduos. Isto até parece uma meta muito simples e fácil de realizar, não fosse a necessidade humana de ter algum ganho secundário em manter-se preso ao conhecido: “Mais vale mau conhecido do que bom por conhecer!” 



Luis Nduwumwami, professor de filosofia da educação e de antropologia cultural na universidade de Burundi, publicou uma tese de doutoramento sobre o conceito de educação segundo Krishnamurti. Este professor afirma que Krishnamurti não exigia a supressão da escola como a conhecemos, mas desejava a curto ou a longo prazo a desaparição do sistema educativo atual. Segundo ele, este sistema dá origem a jovens neuróticos e imaturos. Nomeadamente inculcando-lhes os germes corruptores da violência, divisões nacionais e religiosas. Não estamos a falar aqui apenas da Índia ou outros países orientais mas no mundo em geral. Este sistema contenta-se em transmitir uma herança cultural ou científica num ambiente muitas vezes forçado e autoritário. E espera dos seus alunos que sejam apenas uns bons memorizadores das matérias em que todos devem ter o mesmo objetivo a alcançar. Uma uniformidade demasiado pretensiosa e irrealista, já que, para alguns é demasiado elevada e para outros é insuficiente. A escola tradicional surge assim como uma máquina poderosa, condicionadora de comportamentos, castradora da originalidade, da espontaneidade e da liberdade através de um treino intensivo dirigido para o conformismo e a obediência servil. Ora, segundo Krishnamurti, a primeiríssima das tarefas, para o professor e para o aluno, é a recusa dos condicionamentos que transformam o Homem em autómato e prisioneiro do seu cérebro. 



(Continua…)
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

QUER SABER COMO PODERÁ DESENVOLVER A SUA INTUIÇÃO?



A Intuição é a Inteligência do Coração.
Podemos considerá-la como uma maneira que a mente consciente tem de perceber a realidade de maneira directa, sem raciocinar antes. 



A intuição é útil para quem trabalha porque ela economiza tempo e dinheiro, ao antecipar problemas e mostrando caminhos com mais clareza. 



Diz-se que é uma vibração que flui através de ondas e que todos podemos estimular a criação dessas ondas através de alguns exercícios. 



QUER SABER COMO PODERÁ DESENVOLVER A SUA INTUIÇÃO? 



1) Formule uma pergunta sobre algo que deseja saber. Escreva essa pergunta numa folha de papel. Pegue num dicionário. É preciso que seja um dicionário bem completo, não serve um dicionário de bolso, com poucas palavras. 


2) Coloque o dicionário sobre uma mesa ou sobre os seus joelhos e coloque por cima dele a folha de papel, com a pergunta escrita. Deixe as suas mãos apoiadas sobre o dicionário e feche os olhos. 

3) Faça 3 respirações profundas, de olhos fechados. 

4) Imediatamente a seguir à última respiração, abra os olhos, leia a pergunta que escreveu no papel em voz alta e abra o dicionário ao acaso. Coloque o dedo nalgum ponto de uma das páginas e leia o que está ali escrito. 

De alguma maneira, aquilo que está escrito ali fará sentido diante da pergunta formulada. 

Com a repetição constante destes exercícios, cria-se uma ligação com as vibrações das palavras e cada vez com mais frequência encontrará informações claras sobre as questões que formular. 

Caso não encontre a resposta à pergunta feita, anote o que leu no dicionário, pois essa palavra poderá trazer alguma luz mais à frente, quando a situação sobre a qual queria saber evoluir.

E há quem afirme que a intuição é apenas um conjunto de conhecimentos próprios adquiridos ao largo das múltiplas experiências do Ser. 

"E existem outras maneiras para desenvolver a intuição. Ela surge do inconsciente  que murmura à nossa mente consciente, e quando isso acontece o nosso trabalho é silenciar a nossa mente consciente e escutar. É como se o nosso inconsciente fosse a nossa parte mais sábia, o nosso mestre e o nosso tesouro de experiências passadas presentes e quem sabe até futuras. Quer conhecer-se melhor? Aquiete-se e mergulhe no seu oceano privado e deixe-se espantar com todo o potencial útil que vai encontrar tão perto de Si a partir do silêncio profundo. E o paradoxo disto é que à medida que mergulha  mais e mais profundamente dentro de si, aproxima-se ainda mais e melhor de todas as pessoas e coisas que têm significado na sua vida.
Para seguir o caminho do seu coração (intuição), faça meditação.
Por exemplo: Zazen (meditação sentada), Tai-Qi Gong Integral (meditação em movimento), etc"
António Vieira


Venha experimentar uma aula aberta de Tai-Qi Gong Integral no Studio K em LEIRIA a partir de Janeiro (Segunda) às 20h e Quinta às 21h (mais informações nos contatos em baixo)
"No caso de estar interessado em experimentar ou praticar meditação zen (zazen) ou na formação em Programação Neurolinguística (PNL) entre em contato comigo (António Vieira) tointegral@gmail.com ou 244 04 2010 / 91 788 70 86"

sábado, 5 de janeiro de 2013

Meditações Diárias -"ATENÇÃO - Novo Blogue!"


A todos os amigos, apreciadores e investigadores do Tao que queiram continuar a  explorar as meditações diárias cliquem por favor no link em baixo:

To visit and apreciate the daily meditations please click bellow:


Grato,
António Vieira

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"BOM ANO!" Tao - Meditações Diárias (Deng Ming Dao) "SOLUÇÕES" com música de Wim Mertens "Humility" - VENHA EXPERIMENTAR AULA ABERTA DE "TAI -QI GONG INTEGRAL" 7 Janeiro às 20h no Studio K em LEIRIA "BOM ANO - FELIZ 2013"

295. SOLUÇÕES

Seja corajoso para explorar;
sem exploração não há descobertas.
Aceite soluções parciais;
sem o provisório não há realização.

A indecisão e o adiamento podem tornar-se hábitos corrosivos. Aqueles que esperam que cada pequena coisa seja perfeita antes de embarcarem num projeto mais amplo ou que não gostam da concessão de uma solução parcial estão entre os menos felizes. As circunstâncias perfeitas ou ideais ocorrem raramente num novo empreendimento. Em vez disso, existe incerteza em qualquer situação. Os mais sábios e corajosos conseguem tirar proveito de circunstâncias que parecem obscuras para a maioria das pessoas.
Querer que tudo na vida seja perfeito antes de começar a agir é como querer chegar a um destino sem sair do mesmo lugar. Para os praticantes do Tao, a viagem é tão importante como o destino. Um passo a seguir ao outro: isto é essencial para a aplicação da sabedoria do Tao
Os dias passam, quer participemos ou não. Se não tivermos o devido cuidado, os anos passarão e apenas sentiremos frustração ou arrependimento. Se não for fácil resolver um problema imediatamente, pelo menos façamos uma tentativa. Pode ser muito útil e conveniente reduzir o problema em partes menores, mais administráveis, e assim, o progresso tornar-se-á mais palpável rumo à realização. Quando esperamos que tudo esteja perfeito, conforme os nossos planos preconcebidos, podemos correr o risco de poder ficar à espera para o resto da vida. Ao sairmos a trabalhar na corrente da vida, podemos descobrir que o sucesso se baseia em pequenas coisas.
(continua amanhã...296. CRESCIMENTO)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

"BOM ANO!" Tao - Meditações Diárias (Deng Ming Dao) "SENTAR-SE" com música dos Spain "SPIRITUAL" - VENHA EXPERIMENTAR AULA ABERTA DE "TAI -QI GONG INTEGRAL" 7 Janeiro às 20h no Studio K em LEIRIA "BOM ANO - FELIZ 2013"

294. SENTAR-SE

Os gatos sentam-se ao Sol.
Os cães sentam-se na relva.
A tartaruga imobiliza-se na rocha.
A rã senta-se na folha do nenúfar.
Porque é que nós, as pessoas, não somos tão espertos como eles?

Os que seguem e praticam o Tao gostam de observar e integrar a sabedoria dos animais nas suas vidas. Quando vêem um gato imóvel ao Sol ou uma tartaruga com a cabeça e o pescoço esticados para cima, numa pose imóvel, dizem que estes animais estão a meditar. Os animais sabem quando precisam de ficar quietos para conservar ou recuperar a sua energia interior. Não se desgastam em atividades inúteis; em vez disso, aquietam-se e retiram-se para dentro de si para se recarregar.
Apenas as pessoas têm tendência a classificar a meditação como um tipo de atividade religiosa estranha. E não é o caso. Algo semelhante à meditação ocorre quando dormimos, quando estamos absorvidos na leitura de um livro ou quando "sonhamos acordados", e ficamos tão perdidos num pensamento ou imagem que deixamos de perceber  o que acontece à nossa volta.
Não há nenhuma razão para pensarmos na meditação como algo fora do comum. Pelo contrário. A meditação pode ser a expressão mais natural que podemos ter. Da próxima vez que vir um cão ou um gato sentados, imóveis, e admirar a naturalidade das suas ações, pense na sua própria vida.
Não medite porque é parte da sua programação ou porque é exigido pela sua filosofia particular. Medite porque é natural.
(continua amanhã...295. SOLUÇÕES)

BOA MEDITAÇÃO = BOM ANO!



Zazen = meditação sentada.
Tai-Qi Gong Integral= meditação em movimento.





Venha experimentar uma aula aberta de Tai-Qi Gong Integral no Studio K em LEIRIA 7 de Janeiro (Segunda) às 20h (mais informações nos contatos em baixo)

"No caso de estar interessado em experimentar ou praticar meditação zen (zazen) ou na formação em Programação Neurolinguística (PNL) entre em contato comigo (António Vieira) tointegral@gmail.com ou 244 04 2010 / 91 788 70 86"



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

UM CAMINHO COM CORAÇÃO: A TRIBO DA SENSIBILIDADE?

José Saramago

José Saramago


Produzimos uma Cultura de Devastação. 
Todos os anos exterminamos comunidades indígenas, milhares de hectares de florestas e até inúmeras palavras das nossas línguas. 
A cada minuto extinguimos uma espécie de aves e alguém em algum lugar recôndito contempla pela última vez na Terra uma determinada flor. 
Konrad Lorenz não se enganou ao dizer que somos o elo perdido entre o macaco e o ser humano. 
Somos isso, uma espécie que gira sem encontrar o seu horizonte, um projeto por concluir. 
Falou-se bastante ultimamente do genoma e, ao que parece, a única coisa que nos distancia na realidade dos animais é a nossa capacidade de esperança. 
Produzimos uma cultura de devastação baseada muitas vezes no engano da superioridade das raças, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder económico. 
Sempre me pareceu incrível que uma sociedade tão pragmática como a ocidental tenha deificado coisas abstractas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens efémeras. 
Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade... 

A Tribo da Sensibilidade é formada por pessoas sensíveis, solidárias, éticas, que apreciam a arte, a vida, a ecologia, e estão aí espalhadas por todo o planeta.
Um sentimento coletivo, mesmo que não verbalizado, ao invés de dominar o mundo, transforma-o pelo simples vínculo da contemplação.
Esta Tribo favorece um estar-juntos que não busca um objetivo a ser atingido, mas empenha-se, simplesmente, em cultivar aquilo chamado de "cuidado de si", que busca encontrar pessoas e partilhar com elas algumas emoções e sentimentos comuns.
Formação Pais/Encarregados Educação 

PNL- Iniciaçãoprograma e conteúdos


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

COMO SE CRIA UM PARADIGMA


COMO SE CRIA UM PARADIGMA
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No centro colocaram uma escada e, no cimo da escada, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria sobre os outros macacos que estavam no chão. Ao fim de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros davam-lhe um ensaio de pancada. Passado algum tempo já nenhum macaco subia a escada apesar da tentação das bananas. 
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada sendo rapidamente retirado pelos outros que lhe bateram.
Depois de algumas sovas, o novo macaco deixou de subir a escada.
Um segundo macaco foi substituído e repetiu-se a mesma história. O primeiro macacão que tinha sido substituído participou na “festa” com entusiasmo: deu também uma sova no novo macaco. Com um terceiro macacão, repetiu-se o mesmo e assim sucessivamente.
Até que os novos cinco macacos, mesmo sem nunca terem tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
E se fosse possível perguntar-lhes porque é que batiam no que tentasse subir a escada, certamente que a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim..."


"E até dá para perceber a nossa semelhança com os primatas, que macacada!..."

terça-feira, 20 de novembro de 2012

OBJETIVOS: É natural uma pessoa regozijar-se por ter obtido um sucesso, mas, infelizmente - ou felizmente...

OBJETIVOS:

É natural uma pessoa regozijar-se por ter obtido um sucesso, mas, infelizmente - ou felizmente - é também muito natural que, algum tempo depois, esse sucesso já não seja suficiente; ele faz parte do passado e é preciso encontrar uma nova razão para continuar a caminhar com a mesma convicção para um novo objetivo. O único meio que nós temos de escapar a esta sensação de inutilidade e de vazio que se segue à realização dos nossos projetos é, pois, escolhermos um objetivo distante, tão distante que nunca o atingiremos. Se calhar pensam: «Porquê dirigir-se para algo impossível, inacessível? É na realização que reside o sentido da vida.» Não. O sentido da vida está na busca daquilo que é eternamente irrealizável, inacessível. Esta aspiração a qualquer coisa que, como o horizonte, parece afastar-se à medida que nós avançamos, penetra na nossa consciência, na nossa subconsciência, na nossa supraconsciência, mobiliza todas as nossas energias e abre-nos o caminho do infinito, da eternidade: já nada pode parar-nos. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"Pobre Vítima!" (3/3)

"Pobre Vítima!"(3/3)


3) Eu procuro uma compensação, e portanto, o alívio do meu sofrimento, encontrando um culpado. É assim que a vítima procura o seu carrasco. Alguma vezes ela encontra-o, ligando-se preferívelmente a pessoas que vão realmente fazê-la sofrer. Mais frequentemente, ela inventa-o. A partir do momento em que projeto inconscientemente a imagem do salvador sobre um ser amado, espero dele o alívio de antigas mágoas reprimidas - as quais surgirão à superfície no momento deste encontro! O «salvador» sendo evidentemente impotente para aliviar as mágoas e sofrimentos no mais íntimo da vítima, então ela atribui-lhe a responsabilidade, fazendo-o passar do estatuto de salvador para o de carrasco. O amor pode transformar-se em ódio e a vítima utiliza a sua profunda irritação contra o salvador deposto. A vítima tende sempre a oscilar entre queixar-se e encolerizar-se. Duas conclusões: primeiro, é colocando-se no papel de vítima, conscientemente ou não, que nós transmitimos o sofrimento. São as vítimas que procedem mal. Portanto, ninguém pode escapar a este impasse, por uma razão muito simples: é que é verdade que nós não  somos a origem do nosso sofrimento. Nós recebemos, na infância, as mágoas da nossa alma, e estas não foram reconhecidas. Por isso é que se torna difícil assumir no presente a nossa responsabilidade. Sejamos indulgentes connosco próprios: pode ser longo e nada fácil o caminho da maturidade. Ele consiste em tomar consciência que, mesmo que eu não seja a causa do meu sofrimento, a causa do meu sofrimento está em mim. E também o poder de me libertar. Deixamos de ser vítimas assumindo a responsabilidade: sou  eu que sofro, então sou eu que posso mudar isso.
Denis Marquet


«Vítima: carrasco num estado de impotência.
Carrasco: vítima num estado de omnipotência.

A omnipotência e a impotência 
são os dois opostos do verdadeiro Poder.» 
                                                               Tariq Demens

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

"Pobre Vítima!"(2/3)

"Pobre Vítima!"(2/3)


2) Pela afirmação da minha irresponsabilidade, evito não apenas a culpabilidade (eu sofro mas não é culpa minha), mas também a dura tarefa de buscar em mim próprio as raízes do meu sofrimento. Porque pode ser doloroso olhar para o fundo de si próprio; confrontar as nossas sombras exige coragem. É, no entanto, a única maneira de curar-se verdadeiramente. Negar a minha própria responsabilidade proporciona-me uma impressão ilusória de alívio que acabo por pagar caro e imediatamente: o da impotência  total. Esta impotência é compensada frequentemente por uma busca de se tornar todo poderoso. A procura compulsiva do domínio sobre outros esconde muitas vezes uma vítima impotente.

(continua amanhã...)
Denis Marquet

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Pobre Vítima!" (1/3)


"Pobre Vítima!" (1/3)

A palavra vítima encobre uma realidade: se formos roubados ou assassinados, tornamo-nos em vítimas de  um delito ou de um crime violento. Ao atribuírem esta noção, que pertence ao foro judicial, a sociedade oferece-nos um reconhecimento triplo: primeiro que sofremos; segundo, que não somos responsáveis pelos nossos sofrimentos; e por fim, que um terceiro foi responsável e deve-nos uma compensação. No domínio jurídico, este modelo é necessário mas torna-se perigoso aplicá-lo no contexto psicológico. Não temos todos nós, uma tendência consciente ou inconsciente a colocar-nos no papel de vítimas?  Porque na realidade também podemos esperar um benefício em triplicado, que na realidade é um impasse triplo.
1) Ao mostrar o meu sofrimento, eu posso esperar que um terceiro venha aliviar-me. Não se sentindo responsável pelo seu sofrimento, a vítima espera secretamente pelo seu salvador: aquele que assumirá a responsabilidade no seu lugar. Muitos relacionamentos amorosos nascem de uma transação entre aspetos inconscientes: tu salvas-me e eu salvo-te. E alguns destes relacionamentos acabam porque os enamorados não souberam como ultrapassar esta negociação de auto-enganos. Porque, quando se trata do aspeto psicológico, ninguém salva ninguém. 

(continua amanhã...)
Denis Marquet

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Abrir os olhos para a contemplação do Mundo (6) "AS 4 VIRTUDES DO DESLUMBRAMENTO" Com música de Lisa Gerrard " Paradise Lost"..(Immortal Memory)

"AS 4 VIRTUDES DO DESLUMBRAMENTO"

Contrariamente àquilo que muito desejaríamos acreditar, o deslumbramento não cai do céu. É preciso estimular e praticar quatro virtudes: o desejo, a coragem, a perseverança e a gratidão.
Não existe sequer um milagre de Jesus Cristo que não tenha começado por esta pergunta: tu queres ser curado? Dito de outro modo, a vida interessa-te? Queres a vida ou não?
Qualquer milagre começa por um desejo, uma necessidade/desejo de ir em direção à vida e encontrá-la. E existem então várias maneiras de valorizar a solidez desse desejo. 
Primeiro é importante não se deixar abater pelas dificuldades e resistir na adversidade. E isso, claro, exige coragem.
Segundo é não se permitir ser derrotado pelo sucesso: aquele que tiver sucesso não deve parar, mas continuar a ir em frente. A perseverança é a própria essência da criação. Deus não criou o universo num dia e de uma vez por todas, ele não pára de criá-lo. Toca-nos também a nós começar, e recomeçar sem cessar.
E por fim, quando o nosso desejo for satisfeito, precisamos de agradecer. A ingratidão não é apenas má educação, é sobretudo violência! Um mundo sem gratidão é um mundo sem piedade. Dizer obrigado, é também uma maneira de concluir as coisas para que outras possam acontecer. A combinação destas quatro virtudes dará origem a verdadeiros milagres.